Enclausurada por gélidas paredes, entorpecidas pelo gotejar de escorregadias bolhas de condensação, fica ela acanhada no seu canto, sem conseguir vislumbrar a luz do dia e sem conseguir movimentar as articulações do seu corpo.
O odor transparecido pelo vazio da humidade seca daquele local é inalado nas suas narinas e sugados pelos poros sedentos e mutilados pela fome. Queimada pelo frio inveterado nos planos perpendiculares lisos, cortados pelo obscuro da sombra cruzada entre eles, solta gemidos de uma perfuração impávida, de uma nova mutilação.
Com o corpo pregado ao chão infecundo, tenta soltar um murmúrio no silêncio lancinante da noite… Desgastada e esvaída em sangue pelas picadas das lombrigas que lhe espetam as suas afiadas espadas nas vísceras, não se consegue fazer ouvir, no túnel tenebroso e sem fim à vista, com perfis metálicos que lhe travam a entrada.
Subitamente rebola um
a aragem que gela tudo o que ainda respira naquele local esquecido, perdido e estropiado pelo tempo. A névoa que surge dos seus lábios enegrecidos pelo frio, transparece um suspiro de vida, que insistentemente persiste em lutar contra a pele rasgada pela brisa árida e o corpo picado pelos “vampiros da clausura” que se deliciam em beber aquele fluido dos deuses, como se de um manjar se tratasse…
Cansada, sem forças e disposta a dar de si, visualiza uma sombra que lhe ofusca a escuridão do infinito vazio… Deslustrada pela intempérie que se lhe abateu não consegue alcançar com o olhar o inicio da sombra, não consegue ver, um clarão ofusca-lhe a vista…
O brilho daquela luz é tão intenso…e insiste incansavelmente chamar por ela, para o fim da criação da vida. O sofrimento que era imposto no seu corpo inopinadamente extinguiu-se e os movimentos voltaram. Estranho fenómeno difícil de aceitar! A medo recua e reclama o direito de voltar a viver!
Vê-se novamente encharcada em sangue e embrulhada numa dor que lhe consome o corpo…
O odor transparecido pelo vazio da humidade seca daquele local é inalado nas suas narinas e sugados pelos poros sedentos e mutilados pela fome. Queimada pelo frio inveterado nos planos perpendiculares lisos, cortados pelo obscuro da sombra cruzada entre eles, solta gemidos de uma perfuração impávida, de uma nova mutilação.
Com o corpo pregado ao chão infecundo, tenta soltar um murmúrio no silêncio lancinante da noite… Desgastada e esvaída em sangue pelas picadas das lombrigas que lhe espetam as suas afiadas espadas nas vísceras, não se consegue fazer ouvir, no túnel tenebroso e sem fim à vista, com perfis metálicos que lhe travam a entrada.
Subitamente rebola um
a aragem que gela tudo o que ainda respira naquele local esquecido, perdido e estropiado pelo tempo. A névoa que surge dos seus lábios enegrecidos pelo frio, transparece um suspiro de vida, que insistentemente persiste em lutar contra a pele rasgada pela brisa árida e o corpo picado pelos “vampiros da clausura” que se deliciam em beber aquele fluido dos deuses, como se de um manjar se tratasse…Cansada, sem forças e disposta a dar de si, visualiza uma sombra que lhe ofusca a escuridão do infinito vazio… Deslustrada pela intempérie que se lhe abateu não consegue alcançar com o olhar o inicio da sombra, não consegue ver, um clarão ofusca-lhe a vista…
O brilho daquela luz é tão intenso…e insiste incansavelmente chamar por ela, para o fim da criação da vida. O sofrimento que era imposto no seu corpo inopinadamente extinguiu-se e os movimentos voltaram. Estranho fenómeno difícil de aceitar! A medo recua e reclama o direito de voltar a viver!
Vê-se novamente encharcada em sangue e embrulhada numa dor que lhe consome o corpo…
CM
Abril 2008
2 comentários:
http://www.youtube.com/watch?v=fG8eQBSp9Ao
D
Hummm...isto cheira-me a José Luís Peixoto
Paula T.Gonçalves
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