Imaculadamente triste…
Profundamente dilacerada…
Aqui me encontro eu, vislumbrada perante um precipício sem fim, que me suga a alma com uma velocidade subtil.
Uma palavra de fel é solta no ar e perdida no tempo… Observo a sua caminhada e a subtileza do seu voo … Vem devagarinho, bem devagarinho, pousar na minha epiderme… Uma vez pousada e deitada num espantoso à-vontade, entranha-se no corpo aos poucos e poucos, criando um fervilhar na epiderme que vai derretendo-o em pedaços à sua passagem.
A carne é corroída até aos ossos, o corpo pinga sangue …
Trespassada e intoleravelmente fraca e sem mais forças, deixa-se cair num chão absorvido pelo sangue que escorre … e se esgueira por entre frinchas minusculamente pequenas, imperceptíveis a um simples e vulgar humano como tu.
Imaculadamente triste…
Devassadamente perdida…
Lobo preto, que feres e arranhas um doce corpo, rendido a ti, como podes ser tão vil, tão cruel?
Ingenuamente burro, assim és… Não consegues alcançar a beleza que tens nas garras…
Sedento, faminto e ressacado de uma morte sonante, procuras cortar-me as veias e tudo o que ainda me resta para dar…
Encontras em mim uma fonte inesgotável de alimento, mas… Os cavalos também se abatem!
Imaculadamente triste…
Ardentemente cansada!
CM
Junho de 2008
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